Estratégia · 4 min de leitura
Construir, comprar ou ambos?
Quando basta uma ferramenta de IA pronta a usar, e quando o teu processo merece um agente só dele. Um teste de cinco perguntas.
Provavelmente já pagas por alguma ferramenta de IA. Todas as empresas com quem falamos pagam. Um assistente de escrita aqui, uma ferramenta que resume reuniões ali, um chatbot no site. A pergunta raramente é se deves usar IA. É que trabalho merece mais do que uma subscrição.
A resposta honesta: a maior parte não merece. E a parte que merece costuma precisar das duas coisas, o que se compra e o que se constrói.
Quando comprar chega
Uma ferramenta pronta a usar é a escolha certa quando três coisas são verdade.
O trabalho é genérico. Resumir uma reunião, reescrever um email, traduzir um documento, fazer a primeira versão de um anúncio de emprego. Todas as empresas o fazem mais ou menos da mesma forma, por isso um produto feito para todos serve-te bem.
Não precisa de dados reais. A entrada é o que a pessoa cola lá, e o resultado volta para essa pessoa. Nada tem de sair do teu ERP nem de entrar no teu CRM.
Ninguém responde por um resultado. Torna as pessoas mais rápidas, mas nenhuma equipa se comprometeu a fazer mexer um número com ela. Se piorar no mês seguinte, alguém muda de ferramenta e nada se parte.
Para este tipo de trabalho, construir uma de raiz é deitar dinheiro fora. Compra a ferramenta, define regras sensatas sobre que dados lá entram, e segue em frente.
Quando um processo merece um agente próprio
Tudo muda quando o trabalho passa pelos teus sistemas e pelas tuas regras. Um processo merece um agente próprio quando:
- Vive nos teus sistemas. O agente tem de ler a encomenda, o histórico de tickets, o ficheiro do fornecedor ou a tabela de preços, e escrever de volta neles.
- Há um número. Tempo de primeira resposta, horas perdidas em papelada, stock por vender. Uma equipa responde por ele e quer vê-lo mexer.
- Há decisões que precisam de uma pessoa. Reembolsos, promessas, tudo o que não se pode desfazer. Pedem regras de aprovação feitas à medida da tua empresa, não da empresa que um fornecedor imaginou.
- É só teu. As tuas políticas, as tuas exceções, o teu tom, aquilo que só a Maria sabe. Uma ferramenta genérica não sabe nada disto, e não lho consegues ensinar como deve ser.
Nenhum produto vendido a toda a gente faz as quatro coisas por ti. Não conhece os teus sistemas, não pode responder pelo teu número, e as regras dele são de outra pessoa.
O padrão “ambos”
Na prática, para a maioria dos processos que importam, a resposta é ambos.
Compras o que é comum. Os próprios modelos de linguagem, dos grandes fornecedores. Alojamento, envio de email, pesquisa, a canalização. Ninguém devia construir um modelo próprio para responder a emails de fornecedores.
Constróis o que é teu. Os agentes, as regras de aprovação e a memória partilhada. É aí que vivem o teu processo, as tuas políticas e o teu critério. É essa parte que separa uma demo de um sistema em que podes confiar.
| COMPRAR | CONSTRUIR | |
|---|---|---|
| Modelos | Aos fornecedores de modelos | Nunca |
| Infraestrutura | Alojamento, email, armazenamento | Nunca |
| Agentes | Raramente servem | Construídos à volta do teu processo |
| Regras de aprovação | Configurações genéricas | Escritas com a tua equipa |
| Memória partilhada | Vazia até a preencheres | As tuas políticas, histórico e decisões |
Esta divisão também te protege. Os modelos melhoram e os preços mudam de poucos em poucos meses. Se os agentes, as regras e a memória são teus, trocar o modelo por baixo é uma tarefa de engenharia, não uma migração. O sistema de marketplace que construímos usa modelos de vários fornecedores ao mesmo tempo, cada um escolhido para a sua tarefa. E não depende de nenhum em particular.
Compra o modelo. Constrói a parte que conhece o teu negócio.
De quem é o quê
Construas o que construíres, pergunta de quem é no fim. Nos nossos projetos a resposta é simples. Os agentes correm no teu ambiente e a memória está nos teus sistemas. O código, os prompts e os dados são teus, por isso podes pô-los a correr sem nós.
Isto importa mais do que parece. Se um processo assenta num agente que não é teu, outra empresa pode mudar-lhe o preço, alterá-lo ou desligá-lo.
Um teste rápido
Antes de comprares mais uma ferramenta de IA, pergunta
- Precisa de ler ou escrever nos teus sistemas reais?
- Há um número que uma equipa tem de mexer com ela?
- Há decisões lá dentro que têm de ficar com uma pessoa?
- Depende de políticas, exceções ou de um tom que são só teus?
- Se o fornecedor mudasse o preço ou o produto amanhã, algum processo parava?
Se todas as respostas forem não, compra. Se duas ou mais forem sim, o processo provavelmente merece um agente próprio. Construído sobre modelos comprados, com regras e memória que são tuas.
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O André é o fundador e CTO da WizardingCode. Oito anos a construir o software em que as empresas assentam, agora a pôr agentes em produção.